STF retoma julgamento sobre Marco Temporal na quarta. Novos protestos estão programados

CSP Conlutas
STF retoma julgamento sobre Marco Temporal na quarta. Novos protestos estão programados
STF retoma julgamento sobre Marco Temporal na quarta. Novos protestos estão programados

Com a retomada do julgamento do Marco Temporal pelo STF (Supremo Tribunal Federal), na quarta-feira (7), diversas etnias indígenas planejam atos contra o texto que ataca gravemente o direito dos povos originários aos territórios.

Até o momento, o “placar” da corte está empatado em 1 x 1. O relator do processo, ministro Edson Fachin votou contra a tese, e Nunes Marques se manifestou a favor. O julgamento está paralisado desde setembro de 2021.

Em uma jogada traiçoeira, contando com a omissão do governo Lula, a Câmara aprovou a nova legislação sobre demarcações de terra em regime de urgência, há duas semanas. O texto agora também será avaliado pelo Senado (PL 2.093).

O Poder Legislativo se adiantou ao julgamento no Supremo para atender os anseios do agronegócio. Por sua vez, Lula e o PT liberaram seus parlamentares para votarem como quisessem no requerimento de urgência, abandonando os indígenas e seu ministério.

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Vai ter luta

Desde a segunda-feira (5), cerca de 2 mil indígenas estão acampados na Praça da Cidadania, na Esplanada dos Ministérios. Eles permanecerão mobilizados durante toda esta semana, enquanto ocorre o julgamento.

A exigência é que a corte vote a favor das etnias Xokleng, Kaingang e Guarani na disputa pela posse da Terra Indígena (TI) Ibirama, em Santa Catarina. A procuradoria do estado questiona os indígenas baseando-se na tese do marco temporal.

O texto afirma que somente terá direito à terra, àqueles que provarem a vivência no território até 5 de outubro de 1988, data da criação da Constituição Nacional. O julgamento do STF é importante, pois baseará as decisões nos demais processos de demarcação.

Bruno e Dom

As mobilizações dos povos originários também pedem justiça para o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips. A dupla foi assassinada há cerca de um ano por membros de um grupo de pesca ilegal, no entanto, pouca coisa mudou na região após o crime.

Um ato foi realizado na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, na segunda-feira (5), para denunciar o fato de que o Vale do Javari e as terras dos Yanomami continuam ameaçadas, também pelo garimpo.

Ato em São Paulo

Haverá mobilização contra o marco temporal também em São Paulo. Na quarta, diversas organizações de direitos humanos e da causa indígena realizarão um protesto em frente ao Teatro Municipal, região central, a partir das 12h.

Desde a última semana, após aprovação do Marco Temporal pelos deputados, dezenas de mobilizações ocorreram. Houve bloqueio de rodovias em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no último dia 30.

No domingo (4), o povo Guarani do Pico do Jaraguá, realizou a Caminhada pela Vida na zona norte de São Paulo. Em São Luiz (MA) e no Recife (PE), também ocorreram atos de rua para denunciar a situação de vida ou morte enfrentada pelos povos originários.

"Nunca foi tão importante o fortalecimento dessa unidade", afirma Raquel Tremembé, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas. "É possível barrar este retrocesso. Há muita luta ocorrendo e estamos protestando por nossa história. Não podemos deixar que o território vire pó. Não queremos virar pó. Precisamos acreditar na reversão deste processo".

A CSP-Conlutas este presente nas mobilizações e reforça que atuará na defesa dos interesses dos indígenas com independência de classe e autonomia frente ao governo federal.

A central convoca as demais centrais a fazerem o mesmo e mobilizar a classe trabalhadora contra qualquer ameaça aos direitos da população brasileira.