SC: Mais uma vez, o problema do transporte público na cidade de Criciúma

SC: Mais uma vez, o problema do transporte público na cidade de Criciúma
SC: Mais uma vez, o problema do transporte público na cidade de Criciúma

PSTU-Criciúma

Criciúma novamente vem sofrendo com o aumento da tarifa do transporte público. Dessa vez, a desculpa é outra. O Consórcio CriBus, responsável pela operação do transporte na cidade, diz que enfrenta um déficit mensal de R$ 800 mil. Nos últimos aumentos, apontavam como justificativa para o aumento a redução na quantidade de usuários e a crise econômica.

Se existe algum déficit, a culpa não é da população e sim do Consórcio CriBus e do prefeito Clésio Salvaro (PSD) e sua gestão. É preciso relembrar que todo o problema do transporte público em Criciúma e a diminuição dos passageiros veio de diversas politicas passadas adotadas e sem interferência nenhuma do prefeito.

Relembramos algumas:

1. Com a chegada da pandemia da Covid-19 ao Brasil, a frota de ônibus na cidade de Criciúma foi drasticamente reduzida. Os ônibus pararam de aceitar pagamentos em dinheiro o que fez com que diminuísse as pessoas que usavam ônibus, tanto na cidade como na região; 2. Os cartões de ônibus só podiam ser recarregados nos terminais de ônibus. Para fazer o cartão, era necessário ir ao terminal central; 3. Poucos horários nos bairros, o que fez as pessoas buscarem outras formas de locomoção; 4. Finais de semana a empresa optou por não colocar muitos horários, ou seja, reduziu a frota. Isso prejudica tanto os comerciantes locais como os trabalhadores que nos finais de semana querem sair para lazer; 5. Demissão de funcionários das empresas, acarretando a falta de cobradores, fazendo a impossibilidade de pagar com dinheiro; 6. Diminuição da frota e ônibus lotados; 7. Não tem pagamento por PIX nem por cartão de aproximação.

Todos esses motivos fizeram com que a população da região buscasse outros meios de se locomover. É algo comentado pelos trabalhadores que Criciúma é uma cidade difícil de transporte público. A população é quase obrigada a usar Uber, táxi ou comprar um carro próprio para usar os serviços da cidade e ir ao trabalho.

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Transporte caro, serviço insuficiente e de má qualidade

Para piorar, Criciúma é atualmente uma das cidades que mais paga caro por quilômetros rodados, indiferentemente de andar dez quilômetros ou cem metros, o valor é o mesmo.

Além disso, todos os dias a população enfrenta ônibus superlotados, sem segurança. Diariamente as trabalhadoras e estudantes são expostas a assédios machistas nos ônibus superlotados e nenhuma medida é tomada por parte da prefeitura e muito menos por parte das empresas. Não bastando pagar caro, o serviço é de péssima qualidade.

A empresa enfatiza a necessidade de aumentar a passagem por conta do déficit. Mas isso é contraditório, porque se aumentam o valor da passagem, diminui a quantidade de usuários. Sendo assim, o maior problema é o lucro!

O prefeito Salvaro, se não fosse ano de eleição, pouco se importaria com o aumento. Quando foi anunciado o reajuste do preço da passagem, ele se reuniu com vereadores e disse que a prefeitura vai subsidiar, para que não tenha o aumento.

Esse problema do transporte público que vem arrastando há anos e poderia ter sido resolvido muito antes. Em 2021, foi feita uma licitação do transporte público. Era a oportunidade de ouro para criar uma empresa municipal de transporte público, com o objetivo de favorecer os trabalhadores e o comércio local. Mas a prefeitura, na gestão de Salvaro, pouco se importou com isso. Pois ele e seus amigos nunca dependeram do transporte público.

Salvaro não está preocupado em resolver o problema, tanto é assim que a prefeitura de Criciúma assinou contrato com o Consórcio Criciumense de Transporte Urbano (CCTU) para concessão do serviço de transporte coletivo do município. O valor da outorga é de R$ 20,4 milhões. O prazo do contrato é de 25 anos.

Diante a tudo isso, fica a pergunta: quem perde e sofre com todo esse problema? Respondemos: os trabalhadores e população em geral.

Propostas do PSTU

Nós do PSTU apresentamos, em vários momentos, algumas propostas para o transporte público de Criciúma e para a mobilidade urbana. O partido, com sua aguerrida militância, sempre esteve nas mobilizações contra os aumentos das passagens e contra o lucro da empresa que ganha isenção fiscal da prefeitura, dinheiro que poderia ir para outros setores como educação.

Apontamos aqui  algumas de nossas propostas para o transporte público e mobilidade urbana em Criciúma:

1) Criação de uma empresa municipal de transporte público, sob o controle dos trabalhadores e usuários, com concurso público para seleção dos trabalhadores; 2) Gratuidade no transporte público para estudantes, desempregados e idosos; 3) Redução imediata do valor da tarifa; 4) Todo o valor arrecadado com a cobrança do estacionamento rotativo seja destinado ao transporte público; 5) Volta dos cobradores e ampliação das formas de pagamentos (cartão crédito e débito, pix e dinheiro); 6) Parte do Imposto Territorial Urbano (ITU) seja destinado para o desenvolvimento do sistema de transporte público; 7) Bilhete único para todas as áreas da cidade e ampliação do sistema integrado para os bairros Santa Luzia, Rio Maina e Quarta Linha, aumentando a frota nos bairros; 8) Ampliação de ciclofaixas em todos os bairros da cidade; 9) Construção de bicicletários públicos; 10) Aumentos dos horários de circulação dos ônibus.

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