Justiça suspende demissões na Gerdau de Barão de Cocais (MG)

CSP Conlutas
Justiça suspende demissões na Gerdau de Barão de Cocais (MG)
Justiça suspende demissões na Gerdau de Barão de Cocais (MG)

Em decisão da 1ª Vara do Trabalho de João Monlevade, divulgada nesta quarta-feira (10), as demissões de 497 trabalhadores da Gerdau de Barão de Cocais (MG) estão suspensas e a empresa tem de fazer a reintegração imediata dos funcionários, sem prejuízo ao pagamento de salários e benefícios.

A decisão proferida nesta quarta-feira é da juíza do trabalho substituta Patrícia Vieira Nunes de Carvalho e é uma resposta à ação movida pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Siderúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Barão de Cocais, filiado à CSP-Conlutas.

Os cerca de 500 trabalhadores foram dispensados pela Gerdau no dia 27 de maio deste ano, após o anúncio da “hibernação” da unidade de Barão de Cocais, o que, na prática, significa o fechamento da unidade.

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Demissões imotivadas sem negociação prévia

A Gerdau violou a legislação ao fazer uma demissão em massa sem ao menos buscar uma negociação prévia com o Sindicato.

Segundo a decisão da juíza, as demissões devem ser suspensas “até que se promova a intervenção sindical prévia”, nos termos da Súmula 638, do TST (Tribunal Superior Eleitoral).

Ainda de acordo com a decisão, enquanto durarem os efeitos da suspensão das dispensas, “a ré [Gerdau] deverá proceder ao pagamento dos salários e dos demais benefícios contratuais e convencionais praticados no curso do contrato de trabalho, inclusive, do plano de saúde (in natura ou de forma indenizada) aos empregados dispensados a partir de 27/05/2024 (...)”.

Em caso de descumprimento da decisão, a Gerdau “ficará sujeita ao pagamento de multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês e por trabalhador encontrado em situação irregular, a ser revertida em favor de fundo a ser definido em momento próprio, sem prejuízo de execução do crédito principal”.

Trabalhadores mobilizados

"A suspensão das demissões é uma importante vitória dos trabalhadores que, desde o anúncio das dispensas no dia 27 de maio, têm se mobilizado em defesa dos empregos. Juntamente com o Sindicato, os metalúrgicos realizaram protestos, passeatas, cobrança aos governos. O objetivo é reverter a decisão de fechamento da unidade e garantir todos os empregos", explica o metalúrgico e integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Aldiério Florêncio.

A Gerdau é uma das grandes empresas beneficiadas por isenções de impostos e benefícios fiscais no país. Também se beneficiou com o aumento para 25% da taxa de importação do aço, que chega no Brasil, principalmente da China, e as previsões da própria empresa são de crescimento e lucro. Só neste ano, a Gerdau lucrou R$ 2,8 bilhões, repassando em média de 25% a 30% para os seus acionistas, totalizando cerca de R$ 192 milhões em dividendos.

"Essa decisão é fruto da ganância da Gerdau. A empresa pode manter as unidades em funcionamento", afirma Aldiério.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Barão de Cocais, filiados à CSP-Conlutas, defende a continuidade do funcionamento da usina de Barão de Cocais/MG e investimentos na usina da cidade; a manutenção de todos os postos de trabalho e estabilidade no emprego; negociação da Campanha Salarial de 2024/2025 e negociação de um PDI para os trabalhadores (as) que não tiverem mais interesse em permanecer na Gerdau;

"Caso a siderúrgica não recue da decisão de fechar a unidade, a exigência é de que o governo federal exproprie a usina e a coloque sob o controle dos trabalhadores e trabalhadoras", afirma Aldiério.

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