Ir às ruas contra os ataques de Trump e pela soberania nacional

Redação
Protesto em frente ao Consulado dos EUA em SP Foto Maísa Mendes
Protesto em frente ao Consulado dos EUA em SP Foto Maísa MendesProtesto em frente ao Consulado dos EUA em SP Foto Maísa Mendes

É preciso resistir e enfrentar, além das palavras, o ataque de Trump. Devemos repudiar a aplicação de sanções contra Alexandre de Moraes e demais chantagens sobre os ministros do STF. Devemos exigir de Lula a aplicação da reciprocidade em tudo o que beneficie o Brasil, além de proibir a remessa de lucros e dividendos das empresas dos EUA, bem como suspender o pagamento da dívida pública aos credores norte-americanos.

Neste mesmo sentido, é preciso quebrar as patentes dos medicamentos norte-americanos e defender a exploração nacional e estatal das terras raras, com compromisso em relação ao meio ambiente e com a defesa das terras indígenas e quilombolas.

Já as big techs (incluindo a rede de Trump) devem ser taxadas e regulamentadas, sendo obrigadas a respeitar as leis do Brasil e proibidas de interferirem no processo político e institucional do país.

A classe trabalhadora vem dando o exemplo, como as manifestações realizadas no dia 1º de agosto. É hora de intensificar essa mobilização, inclusive com unidade de ação com o governo e todos os setores que estejam dispostos a enfrentar o imperialismo, mas com independência de classe, sem aceitar qualquer ataque ou entrega de nossos recursos naturais.

E, no processo, exigindo a prisão de Bolsonaro na cadeia, como também d todos os golpistas e entreguistas, que tramam com Trump contra o Brasil.

Combater o imperialismo e não aceitar rebaixamento de direitos

A classe trabalhadora deve estar à frente da luta contra o ataque do imperialismo, em defesa da soberania e, também, por seus salários e empregos. O tarifaço de Trump visa aumentar ainda mais a espoliação e exploração do país, atingindo em cheio a classe.

Por outro lado, a burguesia nacional, covarde e entreguista, abaixa a cabeça para Trump e quer atacar os trabalhadores para proteger seus lucros e até se aproveitar da situação para avançar contra o que resta de direitos trabalhistas.

Não abrindo mão da unidade de ação para enfrentar o ataque imperialista de Trump, com todos os setores dispostos a isso (o que inclui até setores da burguesia), a classe trabalhadora deve se organizar e manter sua independência de classe frente aos governos e aos patrões. Não pode aceitar nenhuma demissão ou redução de direitos.

O agronegócio, que já conta, inclusive, com o bilionário Plano Safra, deve disponibilizar, a preço de custo, sua produção para o mercado interno, reduzindo a galopante inflação dos alimentos que corroí a renda do povo brasileiro.

Semicolônia

Querem tirar o que resta de soberania do Brasil

O Brasil sempre foi um país dominado. De colônia de Portugal, passou por um processo negociado de independência que, longe de construir um país realmente soberano, o manteve sob a sombra do então hegemônico imperialismo inglês. Com a ascensão do imperialismo norte-americano, o Brasil continuou subordinado. Agora, vem crescendo a influência do capital chinês, ainda que os EUA continuem mandando.

É uma dominação que se reflete não só nas trocas comerciais desiguais, mas na exploração direta dos monopólios transnacionais instalados aqui, que exploram a mão-de-obra barata dos trabalhadores brasileiros para remeterem seus lucros às matrizes lá fora.

Exemplos disto são a participação do capital estrangeiro nas empresas brasileiras (como a BlackRock, que tem participação na Embraer), a exploração de serviços públicos através de concessionárias ou, ainda, as Parcerias Público-Privadas (PPPs). E, também, os juros da dívida pública, pagos aos banqueiros e megafundos de investimento.

Em quase todos os setores da economia, o imperialismo (o norte-americano e o europeu, em menor grau, assim como a China, que vem crescendo) domina o Brasil. É um processo de recolonização que vem avançando nas últimas décadas. Mesmo assim, ainda temos uma relativa autonomia, com instituições relativamente independentes do imperialismo, o que, vez ou outra, desata algumas contradições, como estamos vendo agora, com o ataque de Trump.

A política do imperialismo norte-americano é justamente acabar com o que resta de soberania, fazendo o país regredir à condição de colônia, sem nem mesmo termos o direito de eleger o presidente, ou sob quais leis se submeterão as big techs. Por isso, a importância da luta contra o ataque de Trump e do imperialismo e o necessário rechaço à sua ingerência sobre a política e o judiciário.

Brasil não pode ser quintal de ninguém

A saída para essa luta, porém, não pode ser a troca da subordinação aos EUA pela submissão à China ou qualquer outro imperialismo. Não existe um "capital do bem". Os interesses da China sobre o Brasil não são para desenvolver o país, num ambiente amistoso de uma cooperação igualitária, como faz parecer boa parte da esquerda. O exemplo da África já deveria servir para mostrar como a China explora de forma voraz os países que estão sob sua influência.

O embate do ascendente imperialismo chinês com o imperialismo norte-americano em decadência não torna Pequim mais progressivo. Pelo contrário, a China, assim como os EUA, quer impor um novo patamar de exploração e espoliação sobre o Brasil. O que estamos vendo é uma competição interimperialista pela hegemonia do capitalismo mundial.

Uma verdadeira soberania, porém, só virá quando os trabalhadores derrubarem esse regime e o Estado burguês e construírem um outro tipo de Estado, governado pela própria classe trabalhadora e o povo oprimido. Uma sociedade socialista.