Exército de Israel executa repórter palestina com tiro na cabeça

Redação
Exército de Israel executa repórter palestina com tiro na cabeça
Exército de Israel executa repórter palestina com tiro na cabeça

A jornalista da emissora Al Jazeera, Shireen Abu Akleh, uma veterana repórter palestina-americana de 53 anos, foi assassinada nesta quarta-feira, 11, com um tiro na cabeça, enquanto cobria uma operação militar israelense na cidade de Jenin, na Cisjordânia. Ela vestia colete com identificação de imprensa e foi alvejada por um franco atirador. Levada ao hospital, Abu Akleh não resistiu aos ferimentos.

Na mesma ocasião, o cinegrafista Ali al-Samoudi foi atingida por um tiro nas costas, e se encontra em estado estável. A sequência de disparos e o fato de não haver confronto durante o ataque, afastam a possibilidade de terem sido disparos acidentais. Testemunhas afirmaram à emissora árabe que o grupo de jornalistas foi deliberadamente atacado por militares das forças israelenses.

Ferido, Al-Samoudi reafirmou que os disparos partiram das forças israelenses. “Nós íamos filmar a operação do exército israelense e de repente eles atiraram em nós sem nos pedir para sair ou parar de filmar”, disse. Outra jornalista palestina, Shatha Hanaysha, confirmou que "aquele que matou Shireen pretendia matá-la porque atirou em uma área do corpo que não estava protegida”. O ataque também foi testemunhado por um fotógrafo da agência AFP.

De forma cínica, as autoridades israelenses chegaram a acusar os próprios palestinos de terem atirado contra Abu Akleh e os demais jornalistas. Diante da divulgação das imagens do momento do tiroteio, e das inúmeras testemunhas, o Estado sionista se prontificou a “investigar” as mortes. Como pontuou a emissora do Qatar, é o criminoso pedindo para investigar o próprio crime.

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Veterana

Nascida em Jerusalém em 1971, e de família cristã, Abu Akleh se formou na Universidade de Yarmouk, na Jordânia, onde também foi co-fundadora da rádio "Voz Palestina". Uma das pioneiras na cobertura da ocupação israelense na Palestina, ingressou na emissora em 1997. Seu assassinato está provocando uma grande comoção entre a comunidade palestina, além de colegas e profissionais da imprensa de todo o mundo.

Parte da ocupação israelense

O assassinato frio de Abu Akleh expõe um outro lado do genocídio palestino praticado pelo Estado sionista de Israel: o ataque deliberado a jornalistas que tentam cobrir as atrocidades israelenses praticadas contra a população palestina. Segundo o Comitê de Apoio aos Jornalistas Palestinos, desde 2000 o Estado de Israel matou 49 jornalistas palestinos.

Levantamento de órgãos de comunicação que atuam na região denunciam que, só em 2021, foram registradas 384 violações a jornalistas que atuam na zona ocupada por Israel. O Sindicato dos Jornalistas da Palestina classificou a execução de Abu Akleh como “claro assassinato perpetrado pelo exército de ocupação israelense”.

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