Como se tornar um bilionário? Golpe da  Americanas escancara decadência capitalista

Diego Cruz
Como se tornar um bilionário? Golpe da  Americanas escancara decadência capitalista
Como se tornar um bilionário? Golpe da  Americanas escancara decadência capitalista

Como já discutimos em um artigo publicado “O caso Americanas: os semideuses e os demônios do capitalismo, a fraude da Americanas abalou o “mercado”.  Os principais bancos do país estão se digladiando, com batalhas judiciais e investigações criminais por fraudes, e a história também tem sido pauta em toda imprensa, nas instituições governamentais etc.

Abriu-se a “Caixa de Pandora” do sistema financeiro. A imprensa burguesa se escandaliza. Os bancos, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e as bolsas bradam contra os “semideuses do capitalismo” que, no reino da “pureza e honestidade”, maculam as normas do mercado (ohhhh!!!).

Descobriram que a controladora 3G Capitais tem uma verdadeira “ficha corrida” de escândalos e falsificações, que envolvem o Banco Garantia, a Kraft Heinz, a ALL, a Americanas e, agora, enquanto escrevemos esse texto, veio à tona um “possível rombo” de R$ 30 bilhões nas contas da AMBEV.

Mas o que explica, após tantos escândalos, que Lemann, Telles e Sicupira tenham gozado, durante décadas, de tanta confiança do “mercado”? Isso acontece porque, no capitalismo, as relações são baseadas na mais pura mentira, na corrupção e na violência imposta sobre a imensa maioria da população.

BTG, Bradesco, Itaú, Santander, SamSumg, Vale, dentre muitas outras, utilizam as mesmas práticas em seus negócios. A diferença, ao que parece, é que o trio da 3G sempre esteve muito à frente de seus concorrentes e sócios. Por isso mesmo são os homens mais ricos do país.

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O tamanho do rombo

“Onde foram parar os R$ 40 bilhões? Nas contas dos sócios controladores?”, são algumas das perguntas que estão sob investigação. O que se sabe é que, no mínimo, em dez anos, foram distribuídos pelo menos R$ 800 milhões para diretores executivos, assim como dividendos para acionistas, aprovados por eles mesmos. E o restante?

Com uma atitude agressiva no mercado de “e-commerce” (comércio eletrônico), as ações das Americanas foram um atrativo para centenas de milhares de pequenos investidores, participantes de fundos de investimentos de corretoras e bancos. Muitas vezes trabalhadores, que buscavam fazer render um pouco mais suas economias.

Esse afluxo de compras elevou o valor das ações da empresa e, nas bolsas, atraiu mais investimentos e dividendos para os acionistas. Quem está no topo dessa pirâmide, e tem informações privilegiadas, negocia suas ações e decide quem ganha e quem perde.

Exploradores

Semideuses ou vampiros?

Lemann, Telles e Sicupira, sócios da 3G, controladora das Americanas

A 3G (como todos capitalistas) faz parte de um bando de “vampiros”, que vive parasitando o trabalho de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, no país e no mundo, além de pequenos e médios empresários.

Nas lojas Americanas há 44 mil trabalhadores diretos e outros 60 mil indiretos, além de mais de 7.000 fornecedores. Em 2021, essa imensa massa faturou R$ 25,6 bilhões de receita bruta, mas somente 3,92% desta quantia (R$ 1 bilhão) foram gastos para remunerar os salários. Lemann, Sicupira e Telles (da 3G) ainda são sócios da Ambev, maior cervejaria do mundo, com 40 mil trabalhadores, e de outras centenas de empresas onde têm participação.

A riqueza da 3G, guardadas as malandragens, não é obra da magia, nem de deuses e semideuses do capitalismo. É pura exploração. Uma engrenagem que garante a concentração da riqueza dos bilionários, por um lado, e uma imensa maioria de trabalhadores mal remunerados, precarizados, desempregados e miseráveis, por outro.

Parasitas

Quem se apropria das riquezas?

Essa situação transforma os donos do capital numa verdadeira autocracia, onde 55 bilionários têm fortunas pessoais que somam R$ 836,20 bilhões. O trio da 3G, sozinho, detém R$ 180 bilhões, o que os faz deles os homens mais ricos do país, donos de um verdadeiro império. É um nível de concentração impressionante que, por outro lado, revela o profundo grau de empobrecimento do país.

O Brasil vive um intenso processo de desindustrialização e a economia voltou-se para exportação de produtos primários. Esses grandes empresários investem no agronegócio, na especulação financeira, no confisco dos direitos sociais, nas privatizações de Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e instituições de ensino etc.

Por exemplo, através da Fundação Lemann e do grupo Eleva (maior grupo privado de Educação Básica do país), estes bilionários investem na privatização da Educação, influenciam políticos que sucateiam o ensino e fazem parcerias que mudam a gestão das escolas.

Como se vê, esse capital também é utilizado para controlar o Estado, os políticos e a vida econômica de milhões de trabalhadores.

Fraude

Lula, cancele a privatização da Eletrobrás!

A privatização da Eletrobrás seguiu o mesmo estilo das fraudes verificadas na Americanas. Por “pura concidência”, a PricewaterhouseCoopers, mesma empresa que assinou os balanços fraudados da Americanas, também operou a privatização. Ao final do processo, a 3G foi uma das principais beneficiárias. Agora, de lambuja, também vai controlar todo o setor elétrico do país.

A fraude na Eletrobrás representa, no mínimo, 20 vezes mais do que a realizada na Americanas S.A. Caso fique nas mãos do trio de fraudadores. O governo Lula pode, e deveria, questionar todo o processo de privatização da Eletrobrás.

No caso das Americanas, é preciso bloquear os bens dos acionistas da 3G e dos executivos das redes de lojas. E, ao que parece, de todo o império financeiro dos três bilionários, para garantir os salários, empregos e direitos das centenas de milhares de trabalhadores das empresas controladas pelo grupo. Além disso, é necessária a punição e cadeia) para os fraudadores.