Cadê os Yanomami? Chega de massacre indígena!

Redação
Cadê os Yanomami? Chega de massacre indígena!
Cadê os Yanomami? Chega de massacre indígena!

Nesta semana, as redes sociais foram tomadas por uma pergunta: "Cadê os Yanomami?". Por trás desse questionamento, uma denúncia tão bárbara que, por sua gravidade, deveria estar nas manchetes de todos os jornais e mobilizando autoridades de todo o país.

Segundo denúncia divulgada nas redes sociais no último dia 25 pelo presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye"kawana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami, uma menina indígena de 12 anos teria sido estuprada e morta por garimpeiros na Terra Indígena Yanomami, localizada no norte de Roraima. Hekurari teria recebido a denúncia via rádio por indígenas da comunidade Aracaçá, região de Waikás, fortemente atingida pela exploração ilegal e ataques de garimpeiros. Ainda segundo os relatos, durante o ataque, a tia da menina assassinada teria tentado salvá-la e, durante o embate com os criminosos, sua filha de três anos teria caído no rio Uraricoera e desaparecido.

"A adolescente estava sozinha na comunidade e os garimpeiros chegaram, atacaram e levaram ela para as barracas deles. A tia dela defendeu. Quando estava defendendo, os garimpeiros empurram ela em direção ao rio junto com a criança. Essa criança se soltou no meio do rio, acho que estava em um barco. Eles invadiram e levaram para o barraco dos garimpeiros e a violentaram brutalmente, estupraram essa adolescente. Moradores de lá me disseram que ela morreu", relatou Hekurari à imprensa.

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Moradias queimadas encontradas em Aracaçá

Segundo o G1 Roraima, dois dias após as denúncias, uma comitiva formada pela Polícia Federal, representantes do Ministério Público Federal e o Condisi-YY, foi até a região e se deparou com as moradias da comunidade queimadas, e nenhum sinal dos cerca de 30 indígenas que viviam ali. Segundo Hekurari, indígenas das proximidades estariam sendo coagidos, e até mesmo subornados, pelos garimpeiros para não darem informações sobre os crimes brutais cometidos contra os indígenas.

Não é um caso isolado

A denúncia das atrocidades contra os indígenas yanomamis não é um caso isolado. Faz parte da ofensiva brutal contra os indígenas perpetrada por garimpeiros, mineradoras e o agronegócio, amparados e incentivados pelo governo Bolsonaro. Segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), mais de 20 mil garimpeiros cercam a Terra Indígena Yanomami na região. A TI Yanomami é a maior reserva indígena do país, e sofre desde os anos 1980 com a mineração ilegal, prática que vem se intensificando de forma exponencial nos últimos anos.  Relatório divulgado pela Hutukara Associação Yanomami e a Associação Wanasseduume Ye"kwana, a partir de mapeamento e fotografias aérea, mostra que o garimpo na região cresceu 3.350% entre 2016 e 2020. Só no ano passado, aumentou 46% em relação ao ano anterior.

Além dos constantes ataques, ameaças e intimidações, a invasão de garimpeiros nas terras ianomamis leva uma série de outros graves problemas, como o aliciamento e o abuso sexual nas proximidades das comunidades indígenas, além da contaminação por mercúrio no solo e rios, que provoca uma série de problemas de saúde. Segundo estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizado em 2014, 92% das pessoas na região apresentavam altíssimos índices de contaminação.

O governo Bolsonaro, por sua vez, planeja intensificar os ataques e o genocídio indígena. Junto com a bancada do agronegócio, ainda tenta aprovar no Congresso Nacional o PL 191, que regulariza a mineração em terras indígenas. Recentemente, Bolsonaro tentou usar a guerra na Ucrânia como desculpa para acelerar o projeto, a fim de atender à demanda do agronegócio pelos fertilizantes que vinham sendo importados da Rússia. Segundo a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), o projeto “não encontra amparo legal, devido à flagrante violação da dignidade dos Povos Indígenas ao tentar acolher inconstitucional e anacronicamente, a atividade garimpeira nas Terras Indígenas no país, colocando em riscos a vida dos povos originários, incluindo os povos indígenas isolados”.