Ativistas presos arbitrariamente em greve na Embraer são soltos

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos
Ativistas presos arbitrariamente em greve na Embraer são soltos
Ativistas presos arbitrariamente em greve na Embraer são soltos

Depois de permanecerem mais de 24 horas detidos arbitrariamente, os ativistas José Dantas Sobrinho e Ederlando Carlos dos Santos foram soltos, por decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. A decisão foi assinada nesta quarta-feira (4), pelo juiz Loureiro Sobrinho.

Dantas e Ederlando deixaram o Centro de Detenção Provisória do Putim, em São José dos Campos, às 18 horas. Eles estavam presos, à espera da audiência de custódia, que aconteceria, a princípio, na Justiça Federal. Posteriormente, foi transferida para a Justiça Estadual. A audiência, entretanto, não chegou a acontecer.

Em sua decisão, o juiz considera que não há sinal de que os autuados são pessoas perigosas e que não houve a audiência de custódia dentro do prazo previsto em lei (24 horas após a detenção).

A prisão de Dantas, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, e Ederlando, militante do movimento Luta Popular, foi resultado da política repressiva do governo do Estado de São Paulo e da direção da Embraer, que agiram para coibir a deflagração de uma greve pela Campanha Salarial da categoria.

Os dois ativistas foram presos sob alegação de “atentado contra a liberdade de trabalho”. Uma interpretação autoritária que contraria o direito constitucional à greve e à organização sindical.

 A prisão arbitrária mobilizou entidades sindicais e movimentos populares, que manifestaram amplo apoio à luta pela libertação de Dantas e Ederlando. Horas antes da soltura, um ato político reuniu cerca de 150 dirigentes sindicais na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Todos exigiam a liberdade imediata dos ativistas.

Apesar da libertação, o Sindicato e a CSP-Conlutas darão continuidade à campanha para que não haja nenhum tipo de penalização judicial aos ativistas. Também permanece a campanha contra a criminalização da luta da classe trabalhadora.

Dantas e Ederlando agiram em favor dos trabalhadores, que estavam sendo intimidados pela Polícia Militar, durante a assembleia que levaria à paralisação da produção na fábrica. Este foi um grave episódio repudiado por todo movimento sindical e que mostrou que temos de lutar constantemente pelo direito constitucional à livre manifestação. Mesmo com essa conduta antissindical, a Embraer não vai nos calar”, afirma o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.