Mais de 600 cientistas russos lançam carta aberta contra invasão militar de Putin

Diego Cruz
Mais de 600 cientistas russos lançam carta aberta contra invasão militar de Putin
Mais de 600 cientistas russos lançam carta aberta contra invasão militar de Putin

O carniceiro do Putin é cada vez mais questionado em seu próprio país. Além de grandes manifestações realizadas em São Petersburgo e Moscou – todas elas brutalmente reprimidas – e protestos na Geórgia contra a invasão russa, mais de 600 cientistas russos lançaram uma Carta Aberta condenando os ataques. No documento eles dizem: “A responsabilidade de desencadear uma nova guerra na Europa recai inteiramente sobre a Rússia. Não há qualquer justificação racional para esta guerra. As tentativas de usar a situação em Donbass como pretexto para lançar uma operação militar não inspiram qualquer confiança. É evidente que a Ucrânia não representa uma ameaça para a segurança do nosso país. A guerra contra ela é injusta e francamente insensata”.

A iniciativa partiu de Mikhail Gelfand, bioinformático especialista em evolução molecular e genómica comparativa no Instituto de Ciência e Tecnologia de Skolkovo.

Leia aqui a carta aberta dos cientistas russos:

Nós, cientistas e jornalistas científicos russos, declaramos um forte protesto contra as hostilidades lançadas pelas forças armadas do nosso país no território da Ucrânia. Este passo fatal conduz a enormes perdas humanas e mina as fundações do sistema estabelecido de segurança internacional.

A responsabilidade de desencadear uma nova guerra na Europa recai inteiramente sobre a Rússia. Não há qualquer justificação racional para esta guerra. As tentativas de usar a situação em Donbass como pretexto para lançar uma operação militar não inspiram qualquer confiança. É evidente que a Ucrânia não representa uma ameaça para a segurança do nosso país. A guerra contra ela é injusta e francamente insensata.

A Ucrânia tem sido e continua a ser um país que nos é próximo. Muitos de nós temos familiares, amigos e colegas cientistas a viver na Ucrânia. Os nossos pais, avós e bisavós lutaram juntos contra o nazismo. Lançar uma guerra em nome das ambições geopolíticas da liderança da Federação Russa, movida por fantasias historiosóficas duvidosas, é uma traição cínica à sua memória.

Respeitamos a condição de Estado ucraniano, que assenta em instituições democráticas realmente funcionais. Tratamos com compreensão a escolha europeia dos nossos vizinhos. Estamos convencidos de que todos os problemas nas relações entre os nossos países podem ser resolvidos de forma pacífica.

Tendo desencadeado a guerra, a Rússia condenou-se ao isolamento internacional, à posição de um país pária. Isto significa que nós, cientistas, já não seremos capazes de fazer o nosso trabalho normalmente: afinal, conduzir investigação científica é impensável sem uma cooperação total com colegas de outros países. O isolamento da Rússia em relação ao mundo significa mais degradação cultural e tecnológica do nosso país, na ausência total de perspetivas positivas.

A guerra com a Ucrânia é um passo para lado nenhum. É doloroso para nós perceber que o nosso país, que deu um contributo decisivo para a vitória sobre o nazismo, tornou-se agora o instigador de uma nova guerra no continente europeu. Exigimos uma paragem imediata de todas as operações militares dirigidas contra a Ucrânia. Exigimos o respeito pela soberania e integridade territorial do Estado ucraniano. Exigimos a paz para os nossos países.