17 de maio é Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia: basta de violência e discriminação!

CSP Conlutas
17 de maio é Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia: basta de violência e discriminação!
17 de maio é Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia: basta de violência e discriminação!

Preconceito, discurso de ódio, discriminação e aumento da violência. Essa é a realidade enfrentada pelas pessoas LGBT+ ainda nos dias de hoje. É nesse cenário, inclusive, que o Brasil, vergonhosamente, ocupa a posição de ser o país onde mais se mata pessoas em razão da orientação sexual e da identidade de gênero.

Por isso, este 17 de maio, Dia Internacional de Combate à LGBTfobia, precisa ser marcado com denúncia e luta. A data tem como referência um acontecimento simbólico: em 1990, por uma importante conquista do movimento LGBT, a OMS (Organização Mundial de Saúde) retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças mentais. Sim, um absurdo que constava na lista de doenças da OMS. Em 1992, o termo foi, de fato, excluído do CID (Código Internacional de Doenças).

No Brasil, somente em 1999, o Conselho Federal de Psicologia definiu que a homossexualidade não constitui doença, distúrbio ou perversão, proibindo que os psicólogos utilizassem de seus valores e convicções morais ou religiosas para “tratar” as LGBTs.

Mas, as contradições e retrocessos persistem. Em 2019, por exemplo, a OMS retirou a transexualidade do CID, porém segue considerando como um transtorno, classificando como "incongruência de gênero". Uma visão que segue discriminando pessoas trans e dificulta, por exemplo, o acesso a processos de transição nos serviços de saúde.

Com o crescimento da extrema direita no mundo, o discurso de ódio também avança. Por outro lado, mesmo governos dito "progressistas" negligenciam as demandas das pessoas LGBTs em troca de acordos de conciliação com a burguesia e setores reacionários, como vimos em governos do PT, no Brasil.

É assim que, mesmo com algumas conquistas, como a garantia de direitos como casamento civil e direito ao nome social, a lgbtfobia deixa marcas violentas e exigem uma luta permanente.

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Mortes

Sem que haja dados oficiais por parte dos governos, são as organizações civis que vêm compilando esses dados de violência com base em notícias na imprensa e denúncias que chegam às entidades. No entanto, os dados são subnotificados por vários motivos, como a omissão da orientação sexual ou identidade de gênero nos casos de assassinatos registrados oficialmente, por exemplo.

Segundo o Grupo Gay da Bahia, a mais antiga organização LGBT da América Latina, em 2023, foram registradas 257 mortes de pessoas LGBTI+, das quais, 127 eram travestis e transgêneros, 118 eram gays, 9 lésbicas e 3 bissexuais.

O Dossiê de LGBTIfobia Letal apurou um/uma LGBT assassinada a cada 38 horas no Brasil, em 2023. De 230 mortes pesquisadas, 184 foram assassinatos, 18 suicídios e 28 outras causas.

O documento é produzido pelo Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+, que desde 2021, é constituído pela cooperação entre três organizações da sociedade civil: a Acontece Arte e Política LGBTI+, ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos).

São Paulo, a cidade mais populosa do Brasil, tem dados assustadores. Pesquisa divulgada essa semana revela que as notificações de violência contra pessoas LGBTI+ registraram um crescimento de 970% nos últimos oito anos. Entre 2015 e 2023, foram 2.298 casos registrados nos serviços de saúde pública. Se forem considerados os boletins de ocorrências registrados pela Polícia Civil, as violências contra a população LGBTI+ tiveram crescimento ainda maior: 1.424% entre os anos de 2015 e 2022, totalizando 3.868 vítimas.

Diante desse cenário de violência, no entanto, pesquisa feita com um grupo LGBT na cidade do Rio de Janeiro mostra que, embora a maioria tenha sofrido algum tipo de violência, muitas têm receio de ir a uma delegacia e denunciar o crime; e consideram a polícia pouco preparada para lidar com essas situações.

O estudo mostra que quando são registradas, muitas dessas ocorrências acabam sendo arquivadas quando encaminhadas ao Ministério Público. Entre os que buscaram uma delegacia, 186 pessoas, entre 515 entrevistadas, 28% disseram que a especificação de crime de LGBTfobia foi recusada pela delegacia e 14% disseram que conseguiram fazer o registro, mas apenas depois de insistir. A pesquisa inédita foi feita pelo grupo Pela Vidda.

Outras formas de opressão

O preconceito e a discriminação contra pessoas LGBTs se dão também sob outros aspectos que também significam graves violências, como o desemprego, os trabalhos mais precários, a falta de acesso à saúde e educação, entre outros problemas sociais, que recaem com mais força sobre as LGBTIs.

Sob o governo de Bolsonaro, o discurso de ódio contra os setores oprimidos foi uma política consciente da extrema direita e motivo para vários ataques e retrocessos, mas no atual governo Lula, como ocorreu nos mandatos anteriores do PT, a pauta LGBTI+ é negligenciada ou rifada como moeda de troca para acordos de conciliação com a burguesia e setores reacionários.

Já as empresas tentam se apropriar das pautas LGBTs, mas, na prática, são as que utilizam e se beneficiam da opressão para pagar menores salários, impor condições de trabalho mais precárias às LGBTI+ e superexplorar.

A CSP-Conlutas defende que a luta contra a lgbtfobia precisa ocorrer sob uma ótica classista e com independência de governos e patrões. Em 2019, a Central publicou a cartilha "LGBT: história de resistência e luta por direitos" (CONFIRA AQUI).

O combate à LGBTfobia precisa ser assumido pelas entidades sindicais e populares, numa perspectiva classista e de combate, interno e externo, às opressões. Basta de violência, preconceito e discriminação contra as LGBTs!